Modelos de acção

Para alcançar o sucesso no desenvolvimento de projectos e trabalhar com uma equipa de voluntários é necessário conjugar o bom senso com conhecimentos sobre o problema em questão, a gestão de projectos e instrumentos da política de voluntários. Apenas desta forma se poderá desenvolver um trabalho com profissionalismo e eficácia.

Quando iniciamos o desenvolvimento de um projecto devemos encontrar resposta para as seguintes questões:

  • O que pretendemos alcançar com uma determinada acção? Qual é o objectivo?
  • Quem estamos a tentar alcançar com os nossos esforços? Qual é o nosso público-alvo?
  • Que recursos temos à nossa disposição? Como e quando é que vamos fazer uso desses recursos?
  • Qual é o papel do factor tempo?
  • Como é que vamos encontrar o dinheiro para financiar nossas actividades?

As nossas acções poderão ser orientadas para diferentes níveis de influência:

  • Política ou políticas de segurança rodoviária – relacionados com a base legal ou disposição/vontade política do governo ou da administração local
  • Educativa/comunicativa/informativa – relacionados com a disponibilidade para a modernização ou implementação de projectos-piloto

O que pretendemos alcançar com uma determinada acção? Qual é o objectivo?

Em todos os casos, o objectivo é produzir uma mudança ou uma melhoria da segurança rodoviária. Podemos pensar em medidas de infra-estrutura, educação, condução sob a influência de álcool ou drogas, excesso de velocidade, uso do cinto de segurança, legislação, licenças de condução, meio ambiente, política de preços, alternativas de transporte, políticas, fiscalização, etc.
Para sermos bem-sucedidos nos projectos é necessário ter atenção na definição das metas e objectivos a alcançar. Estes devem ser definidos e adequados em função dos recursos materiais, financeiros e humanos disponíveis.

Os objectivos do projecto devem ser “SMART.”

  • Specific (específicos) – devem ser precisos e definidos com pormenor, não vagos
  • Measurable (mensuráveis) – devem ser quantificados para serem medidos, avaliados e analisados
  • Attainable (atingíveis) – devem ser alcançáveis, possíveis de ser atingidos
  • Realistic (realistas) – devem ser exequíveis de acordo com os recursos disponíveis
  • Time Bound (temporizáveis) – devem ser bem definidos em termos de duração/prazos

É necessário determinar se o objectivo está:

  • Relacionado com a política ou políticas de segurança rodoviária. Se os objectivos das medidas que são necessárias para aumentar a segurança rodoviária exigem uma base jurídica ou dependem da vontade dos responsáveis políticos, governo ou administração local. Exemplo: redução da taxa de álcool no sangue permitida por lei, aumentar a atenção dada à segurança rodoviária nas campanhas eleitorais, proibição de todas as chamadas telefónicas (incluindo chamadas mãos-livres) durante a condução.
  • Relacionado com a educação/comunicação/informação. Se estão orientados para a modernização ou implementação de projectos-piloto. Exemplo: Novas metodologias de educação rodoviária, novas formas de comunicar/informar os cidadãos.
  • Relacionado com o comportamento. Se visa promover a mudança de opinião, atitude e comportamento. Exemplo: uma campanha sobre velocidade, educação para os pais, envolvimento dos pais na educação rodoviária, etc.

Quem estamos a tentar alcançar com os nossos esforços? Qual é o nosso público-alvo?

Quanto melhor soubermos quem pretendemos alcançar com o nosso projecto, melhor seremos capazes de seleccionar os nossos recursos e maiores efeitos terão os nossos esforços. Dependendo das escolhas que fazemos, podemos identificar uma série de diferentes grupos-alvo:

  • Relacionados com a política ou políticas de segurança rodoviária. Vamos estar envolvidos principalmente com detentores de cargos políticos, membros de partidos políticos, gestores e funcionários de organizações dedicados ao lobbying. Em geral são pessoas importantes que muitas vezes tomam decisões que têm consequências significativas para grandes grupos dentro da sociedade.
  • Relacionado com a educação/comunicação/informação. Organizações de lobbying/pressão na área da educação, grupos de vítimas da estrada, companhias de transportes públicos, o sector da saúde e segurança social, grupos de moradores, o sector de transporte, escolas de condução, empresas comerciais e, todo um conjunto de grupos relacionados com a área da segurança rodoviária. São representantes de organizações do sector, direcções das instituições de ensino, donos de empresas e, naturalmente, ciclistas, condutores, etc Estas são pessoas que, em geral, actuam em representação de uma organização ou como representantes de um grupo.
  • Relacionado com o comportamento. A este nível estamos essencialmente direccionados para utentes individuais, mas também podemos dirigir-nos a grupos. Estes podem ser grupos de cidadãos interessados; ciclistas, motociclistas, condutores, adolescentes, adultos, idosos ou grupos de moradores: todos estes são potenciais indivíduos ou grupos de pessoas a quem podemos direccionar as nossas comunicações.

Que recursos temos à nossa disposição? Como e quando é que vamos utilizar esses recursos?

Tudo depende do que queremos alcançar. A forma como seleccionamos os nossos recursos e o grupo-alvo que queremos atingir dependerá inteiramente da meta que estabelecemos para nós mesmos. Queremos  chegar à administração local para apoiar projectos locais? Queremos mais medições de velocidade para reduzir os limites de velocidade em áreas residenciais? Queremos que o sector das escolas de condução dedique mais recursos à segurança rodoviária? Queremos envolver os jovens na segurança rodoviária? Queremos garantir que os professores primários tenham o tempo necessário para dar aulas de educação rodoviária? Queremos ver organizado um dia de segurança rodoviária nas escolas? Queremos ver os pais mais envolvidos e a esforçarem-se a garantir a segurança dos seus filhos?
  • Relacionado com a política ou políticas de segurança rodoviária. Incide essencialmente sobre o lobbying individual com políticos; participação nos grupos de projectos ou comités; organização de conferências de segurança rodoviária; escrever artigos editoriais para revistas, entrevistas com questões importantes ou posições adoptadas, publicação dos resultados da investigação através de um comunicado de imprensa, manifestações de rua; influenciar campanhas eleitorais, campanhas de protesto executadas através da internet, etc
  • Relacionado com a educação/comunicação/informação.
  • Projectos inovadores como, o desenvolvimento e introdução de metodologias de educação rodoviária incentivando os pais a fazer o seu melhor para a segurança dos seus filhos; organização de exames teóricos para as crianças nas escolas primárias; Organização de exames práticos para condutores de ciclomotores, reuniões informativas para diferentes grupos-alvo; outdoors, participação de cidadãos em projectos, etc.
  • Relacionado com o comportamento. Campanhas; medições de velocidade em áreas residenciais; campanhas de sensibilização em conjunto com a polícia, reuniões informativas para diferentes grupos-alvo; implementar medidas de segurança em locais perigosos; acções para grandes manifestações públicas, distribuição de panfletos em mercados e centros comerciais; envolver as crianças na avaliação do comportamento dos seus pais enquanto condutores; dando bons exemplos de campanhas, etc.

Qual é o papel do factor tempo?

O factor tempo tem um papel de importância crucial. O lançamento de uma acção demasiado cedo ou demasiado tarde pode influenciar negativamente o objectivo a que nos propomos. É importante ter em atenção duas perspectivas de tempo, o tempo para organização e execução da acção e o tempo/momento em que acontece.
Ter tempo suficiente permite preparar com segurança uma acção ou campanha e aumenta a probabilidade do seu sucesso. Será possível ter em consideração, ao detalhe, todos os aspectos importantes para atingir o objectivo final, os recursos necessários, financiamento, recursos humanos, comunicação, etc
O aproveitamento de um acontecimento que desperte a atenção e que seja notícia pode originar o despoletar de uma acção espontânea, como por exemplo um acidente grave com grande cobertura mediática, a comunicação de uma nova medida, a publicação dos dados referentes à sinistralidade, uma notícia sobre o excesso de velocidade de uma personalidade pública, etc. O aproveitamento deste tipo de situações em que os níveis de atenção são muito elevados pode ser aproveitado e altamente rentável para o problema em questão.

Como é que vamos encontrar o dinheiro para financiar as nossas actividades?

Poderemos tentar encontrar financiamento através de diversas formas, parcerias, doações, mecenato, financiamento, etc.. De acordo com o projecto a desenvolver devemos identificar quais as melhores estratégias para encontrar financiamento. Deveremos ter em atenção algumas questões que ajudam à sua angariação, nomeadamente:

  • Projectos bem estruturados e planeados
  • Garantir notoriedade e visibilidade a todos os envolvidos
  • Garantir valor partilhado entre todos os intervenientes
  • Persuadir os cidadãos a assumir responsabilidades próprias
  • Criar uma boa imagem, simpática, credível e profissional
  • Gerir o relacionamento com as partes envolvidas