Velocidade

Nos dados relativos aos acidentes rodoviários, a velocidade excessiva surge sempre com um peso muito significativo. Os estudos demonstram claramente que a prática de velocidades inadequadas às condições são origem importante na ocorrência de acidentes e o aumento da velocidade a que ocorre um acidente acarreta um enorme agravamento nas consequências desse mesmo acidente.

1- Velocidade, o que é?

A distância que um veículo percorre numa determinada unidade de tempo traduz a velocidade. Na circulação rodoviária, a distância é expressa em quilómetros e o tempo em horas.

Velocidade média e instantânea

Velocidade média é a razão entre a distância que o veículo percorre e o tempo que demorou a percorrer essa distância.
É dada pela seguinte fórmula:

Vm=d/∆t

Em que vm é a velocidade média , d a distância percorrida e ∆t o tempo gasto. Velocidade instantânea é a velocidade a que o veículo se desloca num determinado momento.

 Velocidade média e acidentes

Vários estudos apontam para o facto de que uma redução de 1km/h na velocidade média acarreta uma redução de 3% no número de acidentes. Em zonas urbanas de trânsito lento, esta redução chega a atingir os 5% na frequência dos acidentes. Está igualmente bem fundamentado, em diversos estudos, que a frequência dos acidentes é proporcional ao quadrado da velocidade média e, no caso dos acidentes mortais, proporcional à quarta potência da velocidade média. Tal relação significa que um aumento de 10% na velocidade média se traduzirá num acréscimo de 46% na frequência dos acidentes mortais. Por último, o valor da velocidade média tem uma forte relação com a gravidade dos acidentes e é de particular relevância em acidentes com um único veículo – despistes – o tipo de acidente com mais graves danos corporais.

Dispersão de Velocidades e Acidentes

O risco de acidente aumenta à medida que a velocidade praticada se afasta da velocidade média, pelo que os condutores que circulam a 25% acima da média, têm um risco de acidente 5 vezes superior aos condutores que circulam na média.

Limites de Velocidade e Acidentes

A partir de dados de vários países, estabelecem-se relações entre os limites de velocidade e a taxa de mortalidade, sendo possível concluir que uma diminuição nos limites de velocidade, dá origem a uma redução de mortalidade. E que essa redução é 3 vezes superior em área urbana do que em zona rural. Assim, uma correcta manipulação do limite de velocidade em área urbana é um meio muito eficaz para combater a sinistralidade. O respeito pelo limite de velocidade tem, assim, particular importância dentro das povoações.

Se o veículo circular a 50 km/h, ele percorre cerca de 14 metros durante o tempo de reacção considerado, 1 segundo, e a distância necessária à imobilização do veículo, a travar a fundo, é de aproximadamente 10 metros, o que dá um total de 24 metros.

Se o veículo circular a 60 km/h, a distância percorrida durante o tempo de reacção é de 17 metros e travando a fundo necessita de 18 metros para se imobilizar, ou seja são necessários 35 metros para a imobilização total. Se o peão estiver a 26 metros, depois de percorrida a distância de reacção, estará a 9 metros, e será atropelado à velocidade de 41 km/h. A esta velocidade, 18% dos peões atropelados morrem.

Gravidade Das Colisões Entre Veículos E Peões

Tipos de velocidade

Excesso de velocidade – Há excesso de velocidade, quando se ultrapassam os limites. A velocidade é excessiva ou inadequada existe quando não é adaptada a certas condições específicas, de modo a poder executar manobras ou parar o veículo no espaço livre e visível à sua frente, em condições de segurança. Como sejam as características e estado da via e do veículo, condições meteorológicas e ambientais, a intensidade do trânsito, a carga transportada.

Efeitos da velocidade na condução

A velocidade provoca:

  • Redução do campo de visão –com o aumento da velocidade, o campo de visão vai ficando mais estreito
  • Redução do tempo de reacção – com o aumento da velocidade as respostas têm que ser dadas em espaços de tempo cada vez mais curtos
  • Perda de informação
  • Erros de percepção
  • Erros de análise da informação
  • Erros de decisão e de execução de tarefas
  • Incorrecta avaliação de distâncias e velocidades dos veículos
  • Aumento da distância de paragem
  • Dificuldade em manter a trajectória do veículo
  • Fadiga

Efeitos da velocidade na recolha e análise da informação

Perda de informação – A quantidade de informação aumenta à medida que a velocidade se torna mais elevada. O condutor não consegue percepcionar toda a informação presente, podendo perder informação pertinente, como sinais de trânsito ou a presença de outros utentes da estrada.

Erro de percepção e identificação – À medida que a velocidade aumenta, é mais difícil distinguir e identificar os diferentes estímulos que surgem no ambiente rodoviário.

Erros de análise – Resultam não só da perda de informação, mas também da incorrecta identificação de estímulos e selecção da informação relevante.

Erros de decisão e de execução – O condutor recebe e analisa um maior volume de informação, pelo que tem tendência a cometer mais erros. Com o aumento da velocidade, o condutor tende a cometer falhas ao executar manobras, procedimentos e acções de condução.

Como avaliam os condutores as velocidades dos outros veículos e as distâncias a que se encontram?

A velocidade provoca nos condutores uma incorrecta avaliação de distâncias e velocidades. A velocidade de circulação a que os outros circulam é quase sempre subavaliada, aumentando a subavaliação com o aumento da velocidade a que o condutor circula. De igual modo, à medida que a velocidade aumenta, o condutor tende a considerar que os veículos estão mais longe. A distância a que o veículo se encontra é quase sempre sobreavaliada, aumentando a sobreavaliação com o aumento da distância. Normalmente, os veículos estão mais perto do que supomos e dirigem-se a nós a velocidade superior à que estimamos. Este é um efeito perverso e muito perigoso da velocidade.

Fadiga/stress – resultante do esforço em processar grande quantidade de informação, e reagir adequadamente em menos tempo. Mais dificuldade em manobrar o veículo.

Distância de paragem

A distância de paragem é a distância necessária para parares em segurança o veículo perante um obstáculo. A distância é medida desde o momento que vês o obstáculo até ao momento em que o veículo pára. É a soma da distância de reacção e da distância de paragem.

A distância de paragem aumenta à medida que a velocidade também aumenta. O aumento da distância de paragem não é linear, mas sim exponencial. Quanto maior for a velocidade mais espaço o veículo percorre até parar.

Comparação da distância de paragem entre piso seco e molhado.

Campo Visual

Velocidade de atropelamento.

 Comparação de velocidades de atropelamento.

Velocidade de colisão.

 Visibilidade reduzida.

 

Força de embate.

Distância de segurança.

Como calcular a distância de segurança, em circulação?

Para estar seguro de poder evitar uma colisão com o veículo que segue à sua frente, o condutor deve guardar uma distância que lhe permita parar sem colidir, mesmo que ouma distância que lhe permita parar sem colidir, mesmo que o veículo da frente páre bruscamente. Como essa distância varia (em metros) com a velocidade, é preferível fazer a medição da distância em tempo, Ela corresponde mais ou menos a 2 segundos de intervalo relativamente ao veículo da frente. Assim, o condutor deve guardar a distância necessária para passar num determinado ponto, 2 segundos depois do veículo da frente ter passado nesse mesmo ponto. A regra prática para determinar esse espaço de tempo, sem tirar os olhos da estrada, consiste em contar mentalmente “mil cento e um, mil cento e dois”. Quando as condições de circulação são desfavoráveis,(piso molhado esta distância dever ser maior do que a determinada pela regra “mil cento e um, mil cento e dois”. Ou seja, em vez de 2 segundos, deve contar 4 segundos, seguindo a mesma regra de contagem mental.


Porque se deve manter distância de segurança?

Manter uma distância de segurança, permite evitar acidentes, caso o veículo da frente páre de repente.
O condutor que mantém uma distância adequada em relação ao veículo da frente, pode prever com antecedência como a situação de trânsito vai evoluir e antecipar o comportamento adequado a adoptar.
Se seguirmos muito perto do veículo da frente, ficamos com um campo de visão mais reduzido. Não conseguimos ver elementos (informação) que pode ser relevante para a segurança.
Se mantiver uma distância adequada ao veículo da frente, o condutor tem uma visão mais ampla da estrada e do trânsito à sua frente.

2- Legislação

Velocidades permitidas e sinalização.

Fiscalização – Sanções.

 

Tramitação do processo.

Fases do processo de Contra-ordenações.

Auto de Notícia.

Menciona os factos constitutivos da infracção, o dia, a hora, o local e as circunstâncias desta. É levantado pelo agente de autoridade.

Notificação.

O condutor é notificado por contacto pessoal no momento da autuação, ou no local em que for encontrado, mediante a entrega do triplicado do auto de notícia, que data e assina, ou através de carta registada com aviso de recepção ou, caso esta seja devolvida, por carta simples, ambas expedidas para o seu domicílio ou sede.

O domicílio ou sede do condutor para o efeito da notificação postal é o que consta:

  • Do registo dos t ítulos de condução no caso de infracções da responsabilidade do condutor;
  • No documento de identificação do veículo se a infracção for da responsabilidade do respectivo titular;

A notificação por carta registada com aviso de recepção, considera-se efectuada na data em que for assinado o aviso, ou no 3.º dia útil após essa data, se for assinado por pessoa diversa do arguido.

A notificação por carta simples considera-se efectuada no 5.º dia posterior à data indicada na cota que deverá ser lavrada no processo com indicação da data de expedição da carta e do domicílio para a qual foi enviada.

Apresentação de Defesa.

No prazo de 15 dias úteis a contar da notificação do auto, o autuado pode apresentar defesa por escrito dirigida ao Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, com indicação de testemunhas até ao limite máximo de três, bem como outros meios de prova.
Esta defesa poderá ser entregue na Secção de Contraordenações do Comando Distrital da PSP, ou no Gabinete de Atendimento ao Cidadão do Comando Distrital/Destacamento de trânsito da GNR da área do domicílio do arguido, ou enviada por correio registado para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, sita no Parque Ciencias e Tecnologia, Oeiras-Tagus Park, Av. Casal Cabanas, Cabanas do Golfe, n.º 1, 2734-507 Barcarena.

Pagamento Voluntário.

No prazo de 15 dias úteis após a notificação, o autuado pode proceder ao pagamento voluntário da coima, pelo mínimo, nos CTT ou pelo Multibanco Poderá ainda fazê-lo em qualquer altura do processo mas antes da decisão, embora sujeito ao pagamento das custas que forem devidas.

Atenuação especial da sanção acessória.

O infractor que pratique contra-ordenação muito grave e não tenha praticado, nos últimos cinco anos, qualquer contra-ordenação grave ou muito grave ou facto sancionado com proibição ou inibição de conduzir, e desde que tenha pago a coima, podem os limites mínimo e máximo da sanção acessória cominada para as contra-ordenações muito graves ser reduzidos para metade.

Suspensão da execução da sanção acessória.

O infractor que pratique contra-ordenação grave e não tenha praticado, nos últimos cinco anos, qualquer contra-ordenação grave ou muito grave ou facto sancionado com proibição ou inibição de conduzir, e desde que tenha pago a coima, pode a sanção acessória ser suspensa por um período de 6 meses a um ano.

Se o infractor tiver praticado, nos últimos cinco anos uma contra-ordenação grave, tal suspensão será condicionada singular ou cumulativamente, à prestação de caução de boa conduta, e/ou à frequência de acções de formação.

Garantia do cumprimento.

No momento da verificação da infracção, o infractor deve optar, de imediato, por:

  • Pagar voluntariamente a coima pelo mínimo;

ou

  • Prestar depósito de valor igual ao mínimo da coima, o qual se destina a garantir o cumprimento da coima em que o infractor possa vir a ser condenado, sendo devolvido se não houver lugar a condenação;

ou

  • Sujeitar-se às consequências do não pagamento voluntário da coima ou da não prestação de depósito (apreensão provisória do título de condução e/ou dos documentos do veículo com a consequente emissão das respectivas guias de substituição daqueles).

Se o infractor prestar depósito e não apresentar defesa dentro do prazo de 15 dias úteis, tal depósito converte-se automaticamente em pagamento da coima.

Infractores com sanções por cumprir.

Se em qualquer acto de fiscalização, o infractor não tiver cumprido as sanções pecuniárias que anteriormente lhe foram aplicadas a título definitivo, deve proceder de imediato ao seu pagamento, caso não o faça, sujeita-se às seguintes consequências:

  • Apreensão provisória do título de condução (se a sanção respeitar ao condutor) e/ou dos documentos do veículo (se a sanção respeitar ao titular do documento de identificação do veículo) e emissão das respectivas guias de substituição daqueles, pelo prazo de 15 dias, durante o qual as quantias em dívida devem ser pagas;
  • Se o pagamento não for efectuado naquele prazo, procede-se à apreensão do veículo;
  • Se não tiverem sido cumpridas as sanções acessórias de inibição de conduzir ou de apreensão do veículo, procede-se à apreensão efectiva do título de condução ou do veículo, consoante o caso, para cumprimento da respectiva sanção.
  • O veículo apreendido responde pelo pagamento das quantias devidas.

Figura 1 – Esquema de Transmissão processual das contra-ordenações. Auto de notícia de contra-ordenação
Fonte: http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=70&language=pt-PT

3- Websites de interesse

Prevenção Rodoviária Portuguesa – Velocidade – www.velocidade.prp.pt
Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária – www.ansr.pt
Guarda Nacional Republicana – www.gnr.pt
Polícia de Segurança Pública – www.psp.pt
Instituto de Medicina Legal – www.iml.pt
Instituto da Droga e da Toxicodependência – www.idt.pt
Ministério da Administração Interna – www.mai.gov.pt
Comissão europeia – www.ec.europa.eu/transport/road_safety
Organização Mundial de Saúde – www.who.int
Conférence Européenne des Ministres des Transports – www.cemt.org
European Transport Safety Council – www.etsc.be
Internacional Road Traffic and Accident Database – www.bast.de
La Prévention Routière Internationale – www.lapri.org
Dirección general de tráfico www.dgt.es
La Prévention Routière preventionroutiere.asso.fr
Royal Society for the Prevention of Accidents – rospa.uk
Institut belge de la Securité Routière – www.ibsr.be
Transport Research Laboratory – www.trl.co.uk
Department for Transport – www.dft.gov.uk
Wetenschappelijk Onderzoek Verkeersveiligheid – www.swov.nl
European Youth Forum – www.eyfrs.eu
YOURS – www.youthforroadsafety.org
Responsible young drivers – www.ryd.eu
Youth for Europe – www.youthforeurope.eu
Youth on the road – www.youthontheroad.net
Tuneintotraffic – www.tuneintotraffic.co.uk
The ROAD – www.theroad4youth.org
Australian Youth and Road Trauma Forum – www.australianyouthandroadtraumaforum.org
RYDA Australia – providing first quality road safety information to youth – www.ryda.org.au
BOB – www.bob.be
Think! Road Safety – www.thinkroadsafety.gov.uk
Young driver report OECD – www.internationaltransportforum.org
Report on accompanied driving in Europe – www.cieca.be
Manual on road safety campaigns – www.cast-eu.org
Manual on road safety campaigns – www.alles-fuehrerschein.at
Facts and figures Europe – www.ec.europa.eu/transport/road_safety/specialist/index_en.htm